
Acabou agorinha a entrevista pós-Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1. Todos bastante comedidos. Depois de uma corrida com uma ultrapassagem armada. Sempre por ela. A Ferrari.
O brasileiro Felipe Massa vinha na frente. Mas foi obrigado a deixar Fernando Alonso, o espanhol, como o banco Santander - patrocinador master da equipe - passar.
Dá pra afirmar com tanta certeza. Sim, pelas conversas de rádio do engenheiro de Massa, Rob Smedley. Ele foi o grande personagem da história - na minha humilde opinião.
Primeiro, com a mensagem, lá pela volta 46, 47: "Fernando-está-mais-rápido-que-você. Você-entendeu-essa-mensagem?"
Detalhe: Antes, Alonso já havia tentado ultrapassar. Não conseguiu. E reclamou de que a situação era "ridícula". Estar atrás de Massa? Ou ser impedido pela equipe de ultrapassá-lo?
Logo em seguida, Massa abriu 2 segundos de vantagem, e passou a virar mais rápido que o espanhol.
Bom, retornando ao engenheiro, pouco depois da "mensagem entendida" acima, Massa abriu caminho para Fernando passar. E em conversa recuperada de rádio, o engenheiro disse "obrigado" a Felipe, e terminou com um "sorry" (desculpa)
Ao final, elogios a Massa pelo rádio por ser "magnânimo". Além de um Alonso se fazendo de desentendido, perguntando se Massa teria perdido uma marcha.
Ainda ao final, a esperta repórter Mariana Becker, da Globo, foi ao veterano ex-piloto Nick Lauda, que resumiu a questão: "Vergonha".
Demorei nessa parte, para contextualizar. Agora, as ponderações.
Dá pra perceber que o circo da Fórmula 1 se torna cada vez mais um palco de pilotos "riquinhos". Mimados eles sempre foram. Pergunta quantos deles tiveram alguma dificuldade financeira na vida.
Só que agora, é preciso ser o dono da grana para ter a vez. Situações semelhantes vimos em outros momentos.
O australiano Mark Webber brigou com a Red Bull no último GP, por causa de um bico - na verdade, pela preferência dada a Sebastian Vettel.
O finlandês Kovalainen deixou a McLaren por essa só beneficiar o "queridinho" Lewis Hamilton (que, diga-se, pilotava muito mais que ele)
O exemplo mais claro, na própria Ferrari: Rubens Barrichello e Michael Schumacher. Tudo feito para o alemão. Ao brasileiro, as críticas de "bundão" de grande parte da imprensa, e do público local.
Bem, agora foi o queridinho da Globo (leia-se Galvão Bueno) o atingido...
Qual será a reação? Tomara que não de passividade, como visto na voz do narrador Luis Roberto, que justificava a ultrapassagem como "por Alonso está mais rápido". Se houve ironia, para este humilde expectador, não ficou claro.
Até porque, o Banco Santander - o espanhol - também patrocina a Rede Globo.
As gravações da FIA não deixam dúvidas do jogo de equipe.
Que é proibido pela entidade máxima do automobilismo.
Que é presidida por Jean Todt, ex-homem forte da...Ferrari. Na época em que a equipe agia do mesmo jeito com... Schumacher.
Esperar alguma punição severa parece ser... Uma espera infrutífera.
Reação de Massa? Bom, ele cumpriu o que a equipe queria, e até preferiu não comentar na coletiva. Profissionalismo? Tomara que se reverta em bons frutos para ele.
Para Alonso, ficam os pontos. Pra gente, a diversão em ver ele se requebrando para conseguir explicar.
Para a Ferrari, que fique a vergonha. E, quem sabe, algo mais...
O chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, já disse que quer superar a Ferrari como marca número 1 da categoria em 20 anos. Pelo menos, exemplos de competitividade, a equipe procura dar.
Quem não se lembra dos pegas de Senna e Prost? Ou, mais recente, da disputa entre Button e Hamilton no Gp da Turquia?
Que demore. Mas que consiga. Porque ver esses cavalinhos vermelhos comandados por botões de dentro do box já encheu o saco.