
Imagem: A Tarde
Fui eu, hoje, um dos convocados para trabalhar na implosão da Fonte Nova. Não seria uma reportagem. Apenas imagens. De apoio. As vezes é meio chato ser chamado só pra ser cinegrafista.
Por ora, ordens são ordens. Então, resta a diversão.
Muitos torcedores com camisa do Bahia. Não só porque ganhou da Portuguesa por 4 a 2. A Fonte Nova era a segunda casa de muitos deles.
Momentos marcantes, vários times e até a seleção brasileira tiveram. Só que pra torcida tricolor o estádio, que teve seu anel superior implodido hoje, era especial.
Muitas histórias. Final do Brasileiro de 1988, disputada em 1989. Um senhor disse que quase morreu na segunda inauguração - uma rodada dupla entre Bahia x Fluminense e Vitória X Botafogo. Bahia x Fast Clube, na série C de 2007.
Emoções, sim. Mas na boa: o povo que estava assistindo, na maioria, queria mesmo era tomar uma e ver um grande circo.
Aquelas toneladas de concreto caindo deixaram o povo animado. Não porque era a expectativa do futuro novo estádio. Mas porque era um espetáculo pirotécnico. Sem contar que de dimensões consideráveis.
Por falar em demolição, minha segunda tarefa era uma reportagem com equipe - motorista e cinegrafista - sobre a falta das barracas de praia em Salvador no fim de semana.

Imagem: A Tarde
Aliás, um pecado à cultura local. O povo totalmente acostumado às barracas, agora, birita na areia. Com latinhas compradas em isopor, ou levadas do mercado mesmo. Toalhas e cangas invadiram as pedras também. E até os cachorros foram levados pelos donos. Afinal, agora não tem mais barraca mesmo, ninguém se incomoda.
Ou será que não?
O lixo começa a se acumular. Latas, coco, garrafas, papel. Quem vai limpar tudo isso? Fica a questão. Outra: segurança. Querendo ou não, com as barracas, havia concentração de pessoas. E agora, que cada um bota o sombreiro ou a canga onde quer?
Em Ipitanga, tem barraca que funciona sem telhado. Mas o dono segue no negócio. Uma vergonha pra uma capital que se diz uma das principais a receber turistas no país.
Dá pra entender como se passaram 4 anos, e não se conseguiu uma negociação ou projeto eficiente? Quem entende isso?
Como sempre, o povo sente na pele o problema. Não sou defensor de barraca na areia. Mas critico a falta de planejamento, de coordenação, de estratégia dos poderes legislativo e executivo municipal, e o judiciário federal; a União; e a incompetência e burocracia de nosso país.
4 anos é tempo pra se governar um estado, se presidir um país, ou se administrar uma cidade. Até um mandato de deputado ou vereador vale por esse período.
Será que eles achavam que iam ter um "segundo mandato" da justiça pra solucionar o crime que fizeram com os turistas e os baianos - não os barraqueiros, e sim, os usuários - que frequentam a orla de Salvador?
Quanto ao talho, bem, em uma barraca dessas de Ipitanga, sem telhado, bati a cabeça. Aliás, é a terceira vez em 4 semanas que me machuco. Primeiro, parti o queixo - 2 pontos. Depois, levei uma chuteirada na testa em uma partida de futebol. Agora, um talho a la Harry Potter.
...Falei demais hoje. Chega. Boa noite.
Pois é. Há algo de muito sério por atrás das cortinas nesse caso das barracas. Porque seria estupidez demais derrubar todas elas de vez, sem um planejamento adequado, e principalmente sem um projeto de reposição correta e gradual a vista. Retirando as antigas e ir repondo com as novas, sem perdas drásticas para todos os lados.
ResponderExcluirTurismo, baianos e quem trabalhava há anos nas areias da cidade sofrem com isso. Os ambulantes é que vão fazer a festa, um viva ao trabalho informal!! Porque não investir em barracas espaçadas e de qualidade, que causem menor impacto no meio ambiente e com funcionários qualificados e com carteira assinada? Essa lambança toda foi uma vergonha tamanha que me deixa fula da vida toda vez que penso nela...
Olá Lucas,
ResponderExcluirPrecisamos de telefone e e-mail de contato seu.
Estamos com o projeto de um evento para ano que vem e quero tirar algumas duvidas com você.
Abraço
Jônatas
jmfsolucoes@gmail.com