terça-feira, 22 de junho de 2010

São João - festa, licor, matérias repetidas...



Taí. Hoje fiz uma reportagem sobre (óbvio) são joão. Como evitar se queimar com fogos e fogueiras. A mesma de sempre? Pois é. Uma semana antes, colegas meus fizeram uma parecida.

Pra piorar, não era uma suíte - quando se trata de uma reportagem relacionada a uma outra, uma espécie de continuação. E sim, uma nova. Nova? Como?

Aí, caímos naquele velho problema. São sempre as mesmas coisas. Um especialista dos bombeiros, ou médico, pra falar dos riscos de queimaduras. E, claro, a palavra de quem compra os fogos. E dos cuidados que toma.

Culpa de quem? Do pauteiro, que não pensa um viés diferente? Do produtor, que marca sempre os mesmos lugares? Do repórter, que não busca personagens interessantes? Ou da audiência, que não se cansa de ver a mesma coisa? Ou de todo mundo?

Em uma redação, as vezes, somos obrigados a seguir o lugar comum.

Seja você ocupante de uma cadeira de pauteiro. De um telefone de produtor. De uma câmera e microfone de videorreporter. Ou só do microfone, repórter. Da caneta do chefe, que autoriza a matéria. Ou do sofá para sentar e assistir, expectador.

Não porque o lugar comum é bom. Não é. Principalmente no mundo do entretenimento. Televisão é entretenimento. Um teatro. Da vida real. Ou imaginária, a depender do produto.

Mas porque o lugar comum é o necessário. Já que todo ano tem gente que se queima, e gosta de se queimar de novo... Então, vamos ao ciclo vicioso.

Prova disso: Saiu índice de infestação da dengue de Salvador. 4,1 de cada cem edifícios têm focos do mosquito transmissor. E vamos com as reportagens sobre água parada. São importantes. Transmitem informação. Fazer o que?

O lugar comum também é o que dá IBOPE. O povo gosta de ver. Ainda que não seja tudo igualzinho. Só o diferente, não satisfaz. Assim como mais do mesmo cansa.

É como o velho arroz com feijão. Mas cada dia temperado, ou com um acompanhamento, diferenciado. Carne. Frango. Saladinha. Mais feijão que arroz. Mas arroz com feijão.

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