domingo, 29 de agosto de 2010

Fonte Nova, praia sem barracas e um talho na cabeça.


Imagem: A Tarde

Domingo de trabalho. Sempre um saco. Devia ser proibido. Mas alguém tem que fazê-lo.

Fui eu, hoje, um dos convocados para trabalhar na implosão da Fonte Nova. Não seria uma reportagem. Apenas imagens. De apoio. As vezes é meio chato ser chamado só pra ser cinegrafista.

Por ora, ordens são ordens. Então, resta a diversão.

Muitos torcedores com camisa do Bahia. Não só porque ganhou da Portuguesa por 4 a 2. A Fonte Nova era a segunda casa de muitos deles.

Momentos marcantes, vários times e até a seleção brasileira tiveram. Só que pra torcida tricolor o estádio, que teve seu anel superior implodido hoje, era especial.

Muitas histórias. Final do Brasileiro de 1988, disputada em 1989. Um senhor disse que quase morreu na segunda inauguração - uma rodada dupla entre Bahia x Fluminense e Vitória X Botafogo. Bahia x Fast Clube, na série C de 2007.

Emoções, sim. Mas na boa: o povo que estava assistindo, na maioria, queria mesmo era tomar uma e ver um grande circo.

Aquelas toneladas de concreto caindo deixaram o povo animado. Não porque era a expectativa do futuro novo estádio. Mas porque era um espetáculo pirotécnico. Sem contar que de dimensões consideráveis.

Por falar em demolição, minha segunda tarefa era uma reportagem com equipe - motorista e cinegrafista - sobre a falta das barracas de praia em Salvador no fim de semana.

Imagem: A Tarde

Aliás, um pecado à cultura local. O povo totalmente acostumado às barracas, agora, birita na areia. Com latinhas compradas em isopor, ou levadas do mercado mesmo. Toalhas e cangas invadiram as pedras também. E até os cachorros foram levados pelos donos. Afinal, agora não tem mais barraca mesmo, ninguém se incomoda.

Ou será que não?

O lixo começa a se acumular. Latas, coco, garrafas, papel. Quem vai limpar tudo isso? Fica a questão. Outra: segurança. Querendo ou não, com as barracas, havia concentração de pessoas. E agora, que cada um bota o sombreiro ou a canga onde quer?

Em Ipitanga, tem barraca que funciona sem telhado. Mas o dono segue no negócio. Uma vergonha pra uma capital que se diz uma das principais a receber turistas no país.

Dá pra entender como se passaram 4 anos, e não se conseguiu uma negociação ou projeto eficiente? Quem entende isso?

Como sempre, o povo sente na pele o problema. Não sou defensor de barraca na areia. Mas critico a falta de planejamento, de coordenação, de estratégia dos poderes legislativo e executivo municipal, e o judiciário federal; a União; e a incompetência e burocracia de nosso país.

4 anos é tempo pra se governar um estado, se presidir um país, ou se administrar uma cidade. Até um mandato de deputado ou vereador vale por esse período.

Será que eles achavam que iam ter um "segundo mandato" da justiça pra solucionar o crime que fizeram com os turistas e os baianos - não os barraqueiros, e sim, os usuários - que frequentam a orla de Salvador?

Quanto ao talho, bem, em uma barraca dessas de Ipitanga, sem telhado, bati a cabeça. Aliás, é a terceira vez em 4 semanas que me machuco. Primeiro, parti o queixo - 2 pontos. Depois, levei uma chuteirada na testa em uma partida de futebol. Agora, um talho a la Harry Potter.

...Falei demais hoje. Chega. Boa noite.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Desconfio...



Por esse título, não pense em uma matéria sobre "baiano desconfiado". Nada disso.

Hoje visitei três praças no subúrbio ferroviário de Salvador. Largo de Roma, do Dendezeiros, e do Papagaio. Cada uma com seus problemas. As três com mendigos.

Já fiz matérias com moradores de rua. Chegar neles nem sempre é fácil. Hoje até que foi. Nem reagiram, nada. São pessoas comuns. Mas não gostam, claro, de aparecer. Principalmente naquela situação.

Conheci dois interessantes. Seu Gilson, ex-padeiro, que hoje sofre com uma deficiência na perna. Vive no largo de Roma. Fica todos os dias à espera de um prato de comida de dona Iraci, das Obras Sociais Irmã Dulce.

Aliás, essa ajuda é aguardada por outros que rondam a área.

Outro foi seu José. Ele deu o depoimento mais emocionante. Está fora de casa há 30 Dias. Não tem uma das pernas. Alcoólatra, deixou a mulher e os dois filhos no bairro de Pernambués. Não consegue voltar. Já usou outras drogas.

Esses, tudo bem. Mas eis que, durante a reportagem, em um grupo de sujeitos meio mal encarados, um cidadão me pede dois reais para comprar uma média. Eu não tinha, e disse. Ele ficou me olhando com cara de "não acredito".

Pior que não tinha mesmo.

Quando saio para fazer as reportagens, evito levar mais que o necessário. O videorrepórter está sozinho na rua. Até ir a alguns desses lugares é perigoso. É uma experiência. Mas pode dar errado.

Pense no seguinte: você tem a chave de um carro, uma câmera, equipamentos, além de seus pertences. Está sozinho, no meio de pessoas desconhecidas. Tenta sair bem, certinho. Mas nem sempre essa é a intenção dos caras.

O que fazer?

Evite se expor. É o que eu faço. Não são todos os moradores, óbvio, que vão pensar algo de ruim. Esses por exemplo nem mexeram comigo.

Na dúvida, desconfie. E vá descobrindo até onde você pode se arriscar. Inclusive, só comece a filmá-los depois de pedir autorização. Eles são um pouco belicosos. As vezes.

Não custa dizer que os três largos - Roma, Papagaio e do Dendezeiros - tem problemas como grama alta, sujeira, e insegurança de alguns moradores da área...

... E de alguns visitantes também. Nada pessoal, pelo contrário.

Os depoimentos você pode acompanhar amanhã, dia 25 de agosto, a partir das 13h, no Boa Tarde Bahia, na Tv Band, canal 7.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Postes x Barrancos.


Aí eu ouvi que os postes da Avenida Magalhães Neto poderiam cair no barranco. Isso de uma pessoa a quem considero um bocado. Então, no domingo, sai pra correr. E constatei que era verdade.


Assim começou a reportagem. Um simples comentário.

As vezes, o jornalista subestima a pessoa que encontra na rua, ou aquela que o sugere uma pauta. Claro, nem tudo é tão notícia assim - nos padrões que a chefia quer.

Mas escutar é a função mais importante ao jornalista. Por exemplo, nesse caso, ouvi da pessoa que havia rachaduras no chão. E no piso. Provocadas pelas chuvas que atingem a cidade há um bom tempo já.

Pra piorar, tem pelo menos dois postes a menos de um metro do barranco, por onde passa um rio poluído no local. Admito que sempre conheci o córrego como Camurujipe. Mais popularmente chamado de "rio das tripas".

Você deve imaginar o porquê...

Se um dos dois cair, vai arrastar as fiações de outros postes próximos. Pode comprometer o abastecimento de energia no Costa Azul e na avenida. Já que ali perto existe uma subestação da Coelba.

E tudo isso me foi contado pela pessoa. A quem ainda encontrei na área, e me mostrou outros detalhes.

Ouvir é importante em qualquer faceta da vida. Dale Carnegie, autor de "Como fazer amigos e influenciar pessoas", fala isso. As pessoas gostam de ser ouvidas. Adoram ouvir o som da própria voz.

Esse livro, aliás, é um dos meus de cabeceira. Genial para marketing pessoal e fazer amizades. recomendo.

Ao jornalista, ouvir não é só importante. Como também, parte do processo de obtenção de uma notícia. Ou até um furo jornalístico, por que não?

Eis um treino que pratico. Nem sempre consigo, por ser meio rebelde. Mas vou melhorar. O tempo ensina. Ouvir também.

Até a próxima.

domingo, 22 de agosto de 2010

Tempo, tempo, tempo...




Tempo pra videorreportar. Para me atualizar. Estudar. Para me exercitar. Para tocar. Violão e meus projetos. Pra vender meus quadrinhos. E, claro, pra descansar.

Está faltando.

Administrar bem o tempo é fundamental para o repórter. Ele possui um deadline - um prazo. É preciso entregar a matéria a tempo dos editores prepararem a mesma para o jornal.

No meu caso, crio estratégias para fazer isso. Uma delas é chegar cedo. Bem cedo mesmo, até umas 7h30. Só não antes por falta de carro. O ônibus nem sempre colabora. Principalmente em Salvador.

Daí, posso pensar o dia com um pouco mais de calma. Aliás, não dá pra sair sem isso. Pensar pelo menos no local. Na forma de abordagem. Em como chegar. Se eu sei chegar.

Na rua, mesma coisa. É preciso calcular o tempo de cada entrevista. Até para não entregar "catataus" de sonoras aos editores. Aliás, eles reclamam um bocado. Sempre. Até quando você faz tudo certo.

São como senadores. Eles descem o pau no que os deputados propõem. Eu seria um parlamentar da câmara, e os editores, do senado. Ou pelo menos deveria ser assim no sistema político brasileiro.

Em tempo, e no tempo, depois da rua, ainda é preciso voltar. O videorrepórter decupa o material. Ou seja, assiste e passa para o papel os depoimentos das pessoas. E o que ele narrou na rua. Em seguida, redige o texto.

Futuramente, eu também vou cuidar da edição das matérias. Serei, como disse parágrafos acima, senador de mim mesmo deputado.

(Não deveria dizer isso em voz alta...)

Claro que esse processo precisa ser feito a tempo dos programas irem ao ar. Não é muito fácil. Principalmente quando a videorreportagem não rende. Mas é divertido.

(Aliás, para os profissionais de jornalismo de Salvador, a profissão é mais divertida que rentável.)

Até para os parêntesis de notas mentais é preciso despender um pouco de tempo. É como um respiro. Aliás, esse blog poderia todo ser um grande parêntesis no tempo que tenho das videorreportagens. Aqui, vocês acompanham os percalços das ruas. Tudo em texto.

Mas tem me faltado tempo para redigir. Do que procurarei me redimir ainda esse mês.

(Demorei tanto pra fazer um pedido de desculpas?)

É, jornalista fala demais mesmo...

Até a próxima.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Você não sabe o quanto eu caminhei...




Essa tem sido uma semana produtiva nas reportagens. Um pouco cansativa também. Em quase todas as matérias, eu precisei percorrer lugares da cidade a pé.

Segunda-feira, fui em uma academia de boxe na Barra, de carro. Mas em seguida visitei todas as escadarias da Lapa. E ainda rodei duas vezes em algumas delas. Na caminhada.

Na terça, paletada no Largo Dois de Julho, e rua Carlos Gomes, atrás da galera que vendia produtos perecíveis nos camelôs. Gente, até peixe tinha exposto em uma mesinha de madeira, sem refrigeração...

Destaque mesmo é o requeijão com goiabada, que o povo adora. A vigilância sanitária diz que é proibido - mas deixa vender. É daquelas coisas de costume. O povo faz, nunca ninguém vai lá mesmo impedir, então...

Pra terminar, ontem fui acompanhar um recenseador do IBGE. A galera que faz a contagem da população. Bem interessante a forma como eles chegam nas casas. Teve um que conseguiu finalizar o Bairro da Paz rapidinho, em uma semana.

... Pra quem não sabe, é uma das áreas consideradas mais perigosas de Salvador.

Em todas essas reportagens, foram caminhadas. Sobe e desce ladeira. Escadaria. Atravessa rua. Entra em beco. Sai em beco.

O videorrepórter nessas horas tem uma limitação. Não dá pra se deslocar pra todo lugar de carro. Afinal, sou eu mesmo quem estaciono. Fica difícil pagar mil estacionamentos. Ou encontrar vagas em uma cidade não planejada, com mais de 800 mil veículos em circulação por dia.

O segredo é tentar percorrer áreas mais próximas, na medida do possível. Deslocamentos maiores, aí sim, faço de carro.

Por falar nele, descobri onde fica o cemitério da Quinta dos Lázaros pra fazer uma imagem. A curiosidade: percebi que só se aprende onde ficam os lugares de verdade quando dirige até eles. De carona, nem sempre a gente decora, não.

Quem sabe um dia não faço um mapa de andar e chegar de carro em Salvador? Eis um projeto que pode até funcionar, de uma maneira diferente. Mapeando através de curiosidades e pessoas nesses lugares.

Dava um belo vídeo. Fica a ideia.

Abraços a todos, e obrigado pela companhia.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Final da Copa... do Brasil.


Foto: Ibahia.com

Trabalhei nessa final da Copa do Brasil, entre Vitória e Santos, no Barradão. Foi interessante ver as reações de torcedores. São figuras em um momento único. Aquele cara tímido, agora, quer aparecer e se mostrar. Louvar as cores e o escudo do clube.

Fica fácil conseguir entrevistas. As vezes tão fácil que alguns enchem o saco da gente pra filmá-los. Mas é divertido assim mesmo.

Pena que apedrejaram o ônibus do Santos. Esse tipo de coisa, realmente, não combina com futebol. E da combustível aos paulistas e demais sulistas pra continuarem achando os baianos "gentinha". Tem vândalo no meio de torcida também.

Do lado de fora, comprei dois sacos de amendoim de um senhor do bairro de Tancredo Neves. Muito bons, rapaz. Só que um ficou no bolso de meu cinegrafista. Nem me lembrei de pegar.

Aliás, dessa vez fui com alguém filmando. Ajuda um bocado. Sem contar que ir sozinho em situações como essa é arriscado.

Dentro do estádio, o monopólio do fast-food árabe mais conhecido de Salvador estava evidente nas cantinas. Mas o pior não é pagar 5 reais em um kit com quibe, pastel e esfiha.

O mais decepcionante é que eles vendem refrigerante em lata...No copo de 500ml. Ou seja, você recebe um copo meio vazio. Paga 2 reais e 50. mas não espanta a sensação de estar sendo lesado. Quem é que gosta de receber refrigerante a menos.

Parece bobagem, mas pra mim, eles perdem nesse marketing...

Preferi comer um acarajé. Com vatapá. 3 reais bem investidos. Mais uma passarinha - nem me pergunte se sei do que é feito, só posso dizer que é gostosa. Dois reais.

Fiquei impressionado com a quantidade de jornalistas de todo o país. Carros de externa, de link ao vivo, e claro, um bando de gente que entra de bicão ou penetra, pra ficar puxando o saco de jogador ou dirigente. Os conhecidos "perus".

Quem também fatura um bocado nessas ocasiões é o pessoal de van, sprinter e turismo. Eles transportam os locutores esportivos, os repórteres, e até o pessoal de apoio que vem de fora.

Tomei chuva - ainda que protegido com uma capa. Difícil foi escrever o texto no papel enquanto a água caía. No final, dois a um Vitória. Ganhou mas não levou. E só cheguei em casa lá pelas 2 da matina, por causa do trânsito complicado na frente do estádio.

Noite feliz, divertida e, infelizmente, um pouco molhada... Até a próxima.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um novo começo.




Toda vez que a vida nos impõe derrotas, é hora de recomeçar. De aprender com os erros. De avaliar os acertos. E de ir pra cima, tentar a vitória no futuro.

É assim que me sinto agora.

A força as vezes até falta. A perda foi não só considerável. Mas grande. Uma pessoa especial. Ela se foi, tentar novos objetivos e desafios. Mas ela era especial.

Tão especial que mesmo nas últimas vezes que nos vimos, fez desse rapaz videorreporter, um homem.

Finalmente assumi compromissos e projetos que há tanto estavam relegados. Comecei a pensar em formas de conseguir elevar a renda. De concretizar os planos. Transformar os sonhos em realidade definitiva.

Tomei atitudes. Revistas e outras coisas empilhadas no meu quarto, nos próximos dias, se tornarão objetos do passado. Projetos musicais, jornalísticos, entre outros, guardados na minha mente vão para o papel. E daí, para meu cotidiano.

Até nisso, essa pessoa foi especial. Em me colocar no caminho. Em me fazer buscar promessas para mantê-la ao meu lado. Tentei, fui com tudo. Não consegui.

Mas descobri um caminho para mim.

As vezes, a gente deixa a vida levar. Levar demais. E esquece de planejar nossos passos. Tudo bem que ela pode levar um pouco, mas é como brincar nas ondas. Pé no chão pra o mar não levar tudo.

E em um instante, as coisas mudam.

Esse post é um agradecimento à essa pessoa - que eu nem sei se lerá o blog. Especial em tantos momentos de minha vida. E também nesse. Que motivou a minha mudança de postura.

Que venham as grandes mudanças. Uma delas: postar diariamente nesse espaço.

Um abraço. A todos. E um brinde à essa pessoa especial.