As vésperas de Bahia e Inter, clássico que não acontece há sete anos pelo Brasileirão, Bobô relembra segundo título nacional do Bahia.
Hoje ele está na maior beca. Sempre de terno, raramente de gravata. O jeito simples, como sempre recebeu a todos no escritório dele, na diretoria da Superintendência de Desportos (Sudesb).
Assim é Raimundo Nonato Tavares da Silva. Ou só Bobô. Campeão brasileiro com o Bahia em 1988 – uma das duas maiores conquistas da história tricolor. A mais lembrada pelos torcedores.
Talvez pelos mais de um milhão e meio de torcedores que foram receber a equipe no aeroporto. “Pra nós foi um susto, porque estávamos sobrevoando o aeroporto, e a gente enxergou aquele mar de gente, paixão, vibração, e boa parte dentro da pista mesmo, do aeroporto”, relembra Bobô
Aquela equipe nem sempre é lembrada pelos especialistas da bola. Mas de acordo com o camisa 8 tricolor no bicampeonato brasileiro, o Bahia praticava um futebol vistoso e ofensivo. Semelhante ao jogado por grandes clubes hoje.
“O Bahia já jogava o futebol moderno, no quatro-cinco-um. Jogadores com versatilidade muito grande, todos eles mudando de posição. Isso fez o Bahia diferente naquele momento”.
Naquela época, também era comum o Bahia ser protegido pelos orixás. O torcedor símbolo do clube no período, Lourinho, sempre amarrava as pernas de bonecos que representavam os jogadores adversários. Mas na final de 1988, quase que a mandinga virou contra.
“No jogo de volta teve o troco dos gaúchos. Só que eles não sabem fazer direito, não. Tinha quase que um boi na entrada do vestiário. Foi um susto pra todo mundo, com aquele animal caído lá.”
Um tempero a mais para o jogo do título. Zero a Zero. A vitória por dois a um no primeiro jogo, na Fonte Nova com mais de 90 mil pessoas foi decisivo. O segundo gol, de bicuda.
“Bati de bico que era a única maneira de tirar também, porque tinha muita gente no chão. Muita gente que a bola poderia bater e tal, se eu resolvesse bater de chapa. Bati de bico, e foi o gol do título.” E o Bahia, de bico, é bi. Campeão.
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