terça-feira, 26 de julho de 2011

Novas perspectivas.




Vou usar um grande clichê. Mas é verdade. Alguns dias, estamos estafados. Preocupados. Acabados.

E precisamos de uma pequena palavra.

Algo ou alguém que nos diga se ainda vale a pena continuar.

Bem, aqui mais um clichê. Vale, enquanto você quiser.

Não puder, quiser.

Tentar, investir, procurar. São do ser humano. Não o correr atrás, mas o buscar mais.

Isso acontece nas reportagens. Eu fico enfurecido quando algo sai do comum, ou alguém está na frente.

Pior ainda se não tenho como ser melhor, por falta de condições fora do meu alcance.

Mas sempre dá pra dar o troco. De outra forma.

Um exemplo recente: Uma emissora concorrente tinha imagens e depoimentos mais interessantes de uma senhora, parente de um rapaz, supostamente morto por policiais.

Bem, a concorrente foi com ela até a polícia, registrou em imagens, e tudo o mais.

Chegamos depois à casa dela. A mulher falou, mas sem mostrar o rosto.

Apostei que a concorrente tinha conseguido situações melhores. Admito que nem cheguei a checar isso.

Era uma luta aparentemente perdida.

Então, nos mandaram gravar um pequeno stand up - quando o repórter narra algo, semelhante a uma passagem, e cobre parte com imagens, ou não. Ele conta a história, quando não há imagens que o auxiliem, ou depoimentos que corroborem sua versão.

O caso? Sequestro relâmpago na Pituba.

Antes da gravação, conversei com algumas pessoas ao redor. Até que uma empresária, dona de salão de beleza, saiu e se irritou.

Ela acusava outros veículos de comunicação de terem contado versões falsas, de que o caso teria ocorrido dentro ou na frente do salão dela. Quando aconteceu no estacionamento do lado.

Bem, decidi ouvir a história dela. Em determinado momento, eu e o cinegrafista Júlio Davi soubemos que ela tinha imagens de circuito interno de TV - amplamente usado em todo o país, dificilmente liberado por aqui - que mostrava o momento do sequestro.

Ora, algo exclusivo. Afinal, ninguém tinha ido lá conversar com elas sobre o caso.

Nessa hora, a gente dá o troco.

E vale para qualquer situação. Perde-se a luta, não necessariamente a guerra.

E como no futebol, é melhor responder na bola, que na porrada.

Aí você pergunta, qual o motivo daquela imagem e do título "novas perspectivas"?

Bem, toda história é um aprendizado. E nos ajuda a pintar novos caminhos.

Desde que não esqueçamos, como a Dorothy do Mágico de OZ, que "não há lugar como o lar". Ou seja, sempre sabermos aonde voltar para buscar da fonte onde podemos beber, sem nos envenenarmos.

Então, não abandone o que você acredita, se você realmente quer. Eu estou em busca de novas perspectivas. De maneira a poder pintar meu futuro diferente do meu presente atual.

E você?

PS: Se não provaram, experimentem as garrafinhas de chocolate da Kopenhagen. O licor de framboesa é sensacional!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Canal no Youtube.

Pra galera que quiser conferir as reportagens que eu faço nas ruas - com equipe ou sozinho - aqui vai o endereço do meu canal no youtube.com.

http://www.youtube.com/user/VideorreporterLucas?feature=mhee

Tentarei toda semana atualizar com as mais recentes. Fiquem a vontade para comentar, escrachar, descer a madeira, enfim, o que quiserem. E se assinarem, ganham cinco estrelinhas com o repórter aqui.

Um abraço. E vida que segue.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Enterros e abutres.



Você já teve que ir a um enterro? De um parente, amigo, vizinho. Qualquer um. Se não, um dia irá. É algo da nossa cultura. Não cremamos. Não doamos nossos corpos para pesquisa. Enterramos.

Mas não quero falar de problemas de saúde pública, ou formas culturais de despedidas de entes queridos. Na verdade, só do enterro em si. E do clima pesado que fica nele.

É muito ruim enterrar alguém. Principalmente quando essa pessoa significou algo em nossas vidas.

É muito chato ter que consolar alguém por uma perda. Pior ainda se tentam nos consolar - e normalmente, em 90% das vezes, dizem as palavras erradas...

É algo que acontece, sim, mas é duro quando acontece.

Agora, imagine no meio disso tudo, ter que colher depoimentos, saber informações, buscar dados e maneiras de contar uma história.

A história de alguém que se foi. Cujo corpo está ali, na frente de todo mundo.

Muitos não toleram quando as câmeras de TV e máquinas fotográficas chegam nos velórios. Dizem que os jornalistas são abutres. Boa parte da má fama da profissão vem daí.

Afinal, somos "filhos da pauta". Ela diz o que fazer. E ai da gente se não o fizermos.

Comecei essa semana de julho com um enterro de uma garota de 16 anos. Bem numa segunda-feira. A jovem foi morta com um tiro dentro de casa.

No domingo mesmo, fui tentar depoimentos com a família, que se calou sobre o crime.

Quando chegamos no cemitério, na segunda, minha primeira ideia era ir no pai. Mas ele estava destruído pela dor. Mal conseguia se manter em pé.

A mesma consternação atingia primas, tios, outros parentes. A mãe, apesar da força, era só lágrimas.

Colegas de trabalho, na Caixa Econômica, também estavam tristes e choravam, mas pareciam mais firmes. Comecei com eles.

Mas ainda assim era difícil. Por que mandam a gente nessas ocasiões? Que tipo de notícias vamos extrair? Alguma confissão? Alguma declaração?

Não. Só querem as lágrimas das pessoas.

E por isso nos chamam de abutres...

No momento do velório, depois da bênção do padre, uma prima e a melhor amiga pareciam mais calmas. Depois de cairem em prantos, consegui chegar nelas. Com calma, voz baixa, e de certa forma ajudado pelo colega Antônio Carlos, cinegrafista da hora.

Tinhamos os depoimentos. E foi em um momento bom. Porque na hora do enterro, a melhor amiga desmaiou, e a prima mal se aguentava em pé.

Esperamos o fim. Gravamos a passagem. Só faltava o texto.

Sairia na redação. Porque depois de um enterro, faltam forças.

Ainda que você sequer conheça os envolvidos. O clima do lugar te consome.

Muitas histórias são complicadas ou difíceis de contar. Mas nenhuma é pior que a de um enterro. Porque só há as lágrimas das pessoas.

E por isso nos chamam de abutres.