
A pauta pode ser tudo. Uma linha escrita. Um fato do dia. Uma história de vida. Um bom prato feito com esmero. A pauta pode ser tudo.
Então por que as vezes é difícil vender uma pauta a um editor?
As vezes, ele não quer te ouvir. Quer apenas a pauta que vier do produtor. Em outras, ele não enxerga a matéria que você vê. Acontece. Cada um vê de um jeito.
As vezes, não satisfaz os interesses dele. Ou do chefe dele. Ou da empresa. Principalmente quando vai bater em uma instituição. Ou pessoa influente.
Tem também aquela pauta que eles acham "fria demais", "gelada". Porque querem sempre algo "quente". Que acaba de sair do forno da sociedade. Ou polêmico. Que "esquente" as discussões.
Independente do motivo, o importante é deixar os casacos de lado, e trazer o verão para sua reportagem.
O problema é que as vezes, ficar dentro de uma redação durante boa parte do dia nem sempre dá uma noção real das necessidades da população. Quando o repórter sai às ruas, ele ouve os ecos da sociedade. Com mais facilidade.
Longe de criticar a postura do editor. Até porque se ele está nessa posição, é porque já ouviu esses mesmos ecos várias vezes. Cabe à ele balizar o que interessa para o público a ser atingido.
É também um exercício de humildade do repórter reconhecer onde ele não atinge interesses. Essa é a palavra mágica.
Interesses. Em uma boa negociação, de acordo com um dos papas no assunto, William Ury, é aí que devem se centrar as discussões. A pauta é uma posição. Para vendê-la, descubra os interesses do seu editor.
E olha que isso vale pra outras esferas da vida também.
Até a próxima.